quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Fuvest 2013


46 A escravidão na Roma antiga

a) permaneceu praticamente inalterada ao longo dos
séculos, mas foi abolida com a introdução do
cristianismo.

b) previa a possibilidade de alforria do escravo apenas
no caso da morte de seu proprietário.

c) era restrita ao meio rural e associada ao trabalho
braçal, não ocorrendo em áreas urbanas, nem
atingindo funções intelectuais ou administrativas.

d) pressupunha que os escravos eram humanos e, por
isso, era proibida toda forma de castigo físico.

e) variou ao longo do tempo, mas era determinada por
três critérios: nascimento, guerra e direito civil.

47 Quando Bernal Díaz avistou pela primeira vez a
capital asteca, ficou sem palavras. Anos mais tarde, as
palavras viriam: ele escreveu um alentado relato de
suas experiências como membro da expedição
espanhola liderada por Hernán Cortés rumo ao Império
Asteca. Naquela tarde de novembro de 1519, porém,
quando Díaz e seus companheiros de conquista
emergiram do desfiladeiro e depararam-se pela primeira
vez com o Vale do México lá embaixo, viram um cenário
que, anos depois, assim descreveram: “vislumbramos
tamanhas maravilhas que não sabíamos o que dizer,
nem se o que se nos apresentava diante dos olhos era
real”.

Matthew Restall. Sete mitos da conquista espanhola.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2006, p. 15-16. Adaptado.

O texto mostra um aspecto importante da conquista da
América pelos espanhóis, a saber,

a) a superioridade cultural dos nativos americanos em
relação aos europeus.

b) o caráter amistoso do primeiro encontro e da posterior
convivência entre conquistadores e conquistados.

c) a surpresa dos conquistadores diante de
manifestações culturais dos nativos americanos.

d) o reconhecimento, pelos nativos, da importância dos
contatos culturais e comerciais com os europeus.

e) a rápida desaparição das culturas nativas da
América Espanhola.


48 “O senhor acredita, então”, insistiu o inquisidor,
“que não se saiba qual a melhor lei?” Menocchio
respondeu: “Senhor, eu penso que cada um acha que
sua fé seja a melhor, mas não se sabe qual é a melhor;
mas, porque meu avô, meu pai e os meus são cristãos,
eu quero continuar cristão e acreditar que essa seja a
melhor fé”.

Carlo Ginzburg. O queijo e os vermes. São Paulo:
Companhia das Letras, 1987, p. 113.

O texto apresenta o diálogo de um inquisidor com um
homem (Menocchio) processado, em 1599, pelo Santo
Ofício. A posição de Menocchio indica

a) uma percepção da variedade de crenças, passíveis
de serem consideradas, pela Igreja Católica, como
heréticas.

b) uma crítica à incapacidade da Igreja Católica de
combater e eliminar suas dissidências internas.

c) um interesse de conhecer outras religiões e formas
de culto, atitude estimulada, à época, pela Igreja
Católica.

d) um apoio às iniciativas reformistas dos protestantes,
que defendiam a completa liberdade de opção
religiosa.

e) uma perspectiva ateísta, baseada na sua
experiência familar.

49 A população indígena brasileira aumentou 150% na
década de 1990, passando de 294 mil pessoas para
734 mil, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O
crescimento médio anual foi de 10,8%, quase seis
vezes maior do que o da população brasileira em geral.

http://webradiobrasilindigena.wordpress.com, 21/11/2007.

A notícia acima apresenta

a) dado pouco relevante, já que a maioria das
populações indígenas do Brasil encontra-se em fase
de extinção, não subsistindo, inclusive, mais
nenhuma população originária dos tempos da
colonização portuguesa da América.

b) discrepância em relação a uma forte tendência
histórica observada no Brasil, desde o século XVI,
mas que não é uniforme e absoluta, já que nas
últimas décadas não apenas tais populações
indígenas têm crescido, mas também o próprio
número de indivíduos que se autodenominam
indígenas.

c) um consenso em torno do reconhecimento da
importância dos indígenas para o conjunto da
população brasileira, que se revela na valorização
histórica e cultural que tais elementos sempre
mereceram das instituições nacionais.

d) resultado de políticas públicas que provocaram o fim
dos conflitos entre os habitantes de reservas
indígenas e demais agentes sociais ao seu redor,
como proprietários rurais e pequenos trabalhadores.

e) natural continuidade da tendência observada desde
a criação das primeiras políticas governamentais de
proteção às populações indígenas, no começo do
século XIX, que permitiram a reversão do anterior
quadro de extermínio observado até aquele
momento.

50 Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia-me ao
mesmo tempo satisfeito e descontente. E eu disse:
tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo
comum estava tomando a justiça em suas mãos.
Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel?
Castigos de todos os tipos, arrastamentos e
esquartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a
fogueira, verdugos proliferando por toda parte
trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos
senhores colherão o que semearam.

Graco Babeuf, citado por R. Darnton. O beijo de Lamourette.
Mídia, cultura e revolução. São Paulo:

Companhia das Letras, 1990, p. 31. Adaptado.

O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf
à sua mulher, no início da Revolução Francesa de 1789.
O autor

a) discorda dos propósitos revolucionários e defende a
continuidade do Antigo Regime, seus métodos e
costumes políticos.

b) apoia incondicionalmente as ações dos
revolucionários por acreditar que não havia outra
maneira de transformar o país.

c) defende a criação de um poder judiciário, que atue
junto ao rei.

d) caracteriza a violência revolucionária como uma
reação aos castigos e à repressão antes existentes
na França.

e) aceita os meios de tortura empregados pelos
revolucionários e os considera uma novidade na
história francesa.


51 A economia das possessões coloniais portuguesas
na América foi marcada por mercadorias que, uma vez
exportadas para outras regiões do mundo, podiam
alcançar alto valor e garantir, aos envolvidos em seu
comércio, grandes lucros. Além do açúcar, explorado
desde meados do século XVI, e do ouro, extraído
regularmente desde fins do XVII, merecem destaque,
como elementos de exportação presentes nessa
economia:

a) tabaco, algodão e derivados da pecuária.

b) ferro, sal e tecidos.

c) escravos indígenas, arroz e diamantes.

d) animais exóticos, cacau e embarcações.

e) drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria.

52 Maldito, maldito criador! Por que eu vivo? Por que
não extingui, naquele instante, a centelha de vida que
você tão desumanamente me concedeu? Não sei! O
desespero ainda não se apoderara de mim. Meus
sentimentos eram de raiva e vingança. Quando a noite
caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. (...)
Oh! Que noite miserável passei eu! Sentia um inferno
devorar-me, e desejava despedaçar as árvores,
devastar e assolar tudo o que me cercava, para depois
sentar-me e contemplar satisfeito a destruição. Declarei
uma guerra sem quartel à espécie humana e, acima de
tudo, contra aquele que me havia criado e me lançara a
esta insuportável desgraça!

Mary Shelley. Frankenstein. 2ª ed. Porto Alegre: LPM, 1985.

O trecho acima, extraído de uma obra literária publicada
pela primeira vez em 1818, pode ser lido corretamente
como uma

a) apologia à guerra imperialista, incorporando o
desenvolvimento tecnológico do período.

b) crítica à condição humana em uma sociedade
industrializada e de grandes avanços científicos.

c) defesa do clericalismo em meio à crescente
laicização do mundo ocidental.

d) recusa do evolucionismo, bastante em voga no
período.

e) adesão a ideias e formulações humanistas de
igualdade social.


53 Durante os primeiros tempos de sua existência, o
PCB prosseguiu em seu processo de diferenciação
ideológica com o anarquismo, de onde provinha parte
significativa de sua liderança e de sua militância. Nesse
curso, foi necessário, no que se refere à questão
parlamentar, também proceder a uma homogeneização
de sua própria militância. Houve algumas tentativas de
participação em eleições e de formulação de propostas
a serem apresentadas à sociedade que se revelaram
infrutíferas por questões conjunturais. A primeira vez em
que isso ocorreu foi, em 1925, no município portuário
paulista de Santos, onde os comunistas locais,
apresentando-se pela legenda da Coligação Operária,
tiveram um resultado pífio. No entanto, como todos os
atos pioneiros, essa participação deixou uma importante
herança: a presença na cena política brasileira dos
trabalhadores e suas reivindicações. Estas, em
particular, expressavam um acúmulo de anos de lutas
do movimento operário brasileiro.

Dainis Karepovs. A classe operária vai ao Parlamento.
São Paulo: Alameda, 2006, p.169.

A partir do texto acima, pode-se afirmar corretamente
que

a) as eleições de representantes parlamentares
advindos de grupos comunistas e anarquistas foram
frequentes, desde a Proclamação da República, e
provocaram, inclusive, a chamada Revolução de
1930.

b) comunistas, anarquistas e outros grupos de
representantes de trabalhadores eram formalmente
proibidos de participar de eleições no Brasil desde a
proclamação da República, cenário que só se
modificaria com a Constituição de 1988.

c) as primeiras décadas do século XX representam um
período de grande diversidade político-partidária no
Brasil, o que favoreceu a emergência de variados
grupos de esquerda, cuja excessiva divisão impediu-os
de obter resultados eleitorais expresivos.

d) as experiências parlamentares envolvendo operários
e camponeses, no Brasil da década de 1920,
resultaram em sua presença dominante no cenário
político nacional, após o colapso do primeiro regime
encabeçado por Getúlio Vargas.


e) as primeiras participações eleitorais de candidatos
trabalhadores ganharam importância histórica, uma
vez que a política partidária brasileira da chamada
Primeira República era dominada por grupos
oriundos de grandes elites econômicas.

58 César não saíra d esuaprovíncia para fazer mal algum, mas
para se defender dos agravos dos inimigos, para
restabelecer emseus poderes os tribunos da plebe que
tinhamsido, naquela ocasião, expulsos da Cidade, para
devolveraliberdadeasieaopovoromanooprimidopela
facçãominoritária.

CaioJúlioCésar.A Guerra Civil.SãoPaulo:EstaçãoLiberdade,1999,p.67.

O texto,do século I a.C.,retrata o cenário romano de

a) implantação da Monarquia, quando a aristocracia
perseguia seus opositores e os forçava ao ostracismo,
para sufocar revoltas oligárquicas e populares.

b) transição da República ao Império, período de
reformulações provocadas pela expansão mediterrânica
e pelo aumento da insatisfação da plebe.

c) consolidação da República, marcado pela participação
política de pequenos proprietários rurais e pela
implementação de amplo programa de reforma agrária.
d) passagem da Monarquia à República, período de
consolidação oligárquica,que provocou a ampliação do
poder e da influência política dos militares.
e) decadência do Império, então sujeito a invasões
estrangeiras e à fragmentação política gerada pelas
rebeliões populares e pela ação dos bárbaros.


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